Entrevista: Silver Dose - O Brasil que Invadiu Terras Canadenses

 

1. Para os leitores do site FullRock que não conhecem o trabalho da SILVER DOSE, poderiam descrever os principais pontos da carreira de vocês até aqui?

A Silver Dose começou no final de 2019. Depois de lançar alguns singles e começar a tocar ao vivo, lançamos nosso primeiro EP, Down the Land, seguido pelo nosso primeiro álbum completo, Slander, em 2022.

Desde então, temos nos apresentado principalmente no sul dos Estados Unidos, na região do Golfo, passando por estados como Texas, Mississippi, Alabama, Louisiana e Flórida.

Também seguimos trabalhando em material novo e lançando singles. Um dos destaques foi “Already Dead”, que nos trouxe uma visibilidade interessante e abriu algumas portas, como a oportunidade de dividir o palco com artistas como Pat Travers, na Califórnia, e Trapt, aqui na Louisiana, além de participarmos de diversos festivais e outros shows ao longo dessa trajetória.

2. “Serotonin Fix” é o single mais recente da banda, lançado de forma independente. Como ele vem sendo recebido até aqui?

“Serotonin Fix” é uma música com uma carga emocional bastante intensa e que apresenta algumas características diferentes do nosso material anterior, principalmente na construção e na métrica vocal. Por isso, não sabíamos exatamente como as pessoas iriam receber essa proposta.

Mas a resposta tem sido muito positiva, especialmente ao vivo. É interessante perceber como as pessoas reagem bem à música mesmo quando ainda não a conhecem. E aquelas que já estão familiarizadas acabam cantando junto, principalmente no refrão, que tem justamente essa proposta de fazer o público participar. Estamos muito satisfeitos com a recepção até aqui.

3. Um ponto que salta aos olhos no single é que vocês optaram pelo inglês para passar suas mensagens, em vez do português, até pelo fato de a banda estar radicada nos Estados Unidos. Como você é brasileiro, suponho que esse formato de escrita já tenha sido completamente adaptado, mas em algum momento sentiu dificuldade em trabalhar com outra língua?

Na verdade, eu já escrevia em inglês mesmo quando ainda morava no Brasil e tocava por lá. Então, não foi algo que começou com a minha mudança para os Estados Unidos. Acho que acabou se tornando ainda mais natural com o tempo.

Até por influência e incentivo dos outros integrantes da banda, tenho explorado algumas coisas em português também. Inclusive, já tenho partes escritas em português para músicas que vamos lançar futuramente. Tem uma música que com certeza estará no nosso próximo álbum e que conta com um trecho em português. Mas, de maneira geral, as mensagens das nossas músicas continuam sendo em inglês.

4. O som da SILVER DOSE é difícil de ser rotulado, mas consegui enxergar similaridades com Alternative Rock e Grunge. Vocês concordam com essa afirmação? Caso não concordem, como vocês se definiriam?

Rotular a Silver Dose sempre foi um pouco complicado, até na hora de explicar o nosso som. Acho que hoje a gente aceita bem definições como Alternative Rock, Grunge e até Nu Metal. Muitas vezes somos associados ao Nu Metal, e faz sentido, porque é uma influência muito forte para nós.

Eu tenho um background grande no Hard Rock e no Sleaze Rock, estilos com os quais toquei durante muitos anos. Mas, com a Silver Dose, quis explorar mais aquele tipo de som que comecei a ouvir quando descobri o rock, com bandas como Nirvana, Papa Roach, Linkin Park e Deftones.

Também gosto de trazer algumas influências da música brasileira, principalmente em certas levadas e ideias rítmicas. O Jordan Tamplain, nosso baixista, tem uma bagagem muito ligada ao funk americano, reggae e ska. Já o Rikki Frazier, nosso baterista, é um cara muito aberto musicalmente, assim como nós, e escuta de tudo um pouco, incluindo rap e vários estilos da música americana.

Acho que tudo isso acaba se misturando de alguma forma no nosso som. A gente não coloca muita regra ou limite na hora de compor. Então, se as pessoas enxergam Alternative Rock, Grunge ou Nu Metal no que fazemos, está tudo certo. Não temos problema nenhum com esses rótulos.

5. Particularmente gostei bastante de “Already Dead”, pois ela meio que sintetiza o que temos em toda a discografia de vocês. Como vem sendo a aceitação dela com o público, e quais músicas do material têm sido mais pedidas nos shows da banda?

“Already Dead” é sem dúvida uma das músicas preferidas do público nos shows ultimamente. Ela também ganhou uma visibilidade maior por conta do videoclipe, que foi indicado a algumas premiações. Isso acabou fazendo com que mais pessoas conhecessem a música.

Acho que ela representa bem essa fase atual da Silver Dose. Foi nosso primeiro single depois do álbum Slander e, de certa forma, marcou o início de um novo momento para a banda.

Além dela, temos algumas músicas do Slander que o público sempre espera ouvir, como “4,700 Miles”, que é uma balada e acabou se tornando praticamente obrigatória nos shows. As pessoas ficam até bravas quando a gente não toca! (risos)

6. A produção do material é outro fator importante. O que você pode nos dizer sobre o processo de produção de “Joyride”?

A produção de “Joyride”, assim como a de “Already Dead” e “Serotonin Fix”, é assinada pelo nosso amigo e produtor Ross Johnson, que vem fazendo um trabalho muito legal com a gente.

Como ele já conhece a banda há alguns anos, acho que entende muito bem a nossa sonoridade e, principalmente, como a gente soa ao vivo. Temos tentado trazer bastante disso para o estúdio. Uma das coisas que fazemos, por exemplo, é gravar guitarra, baixo e bateria ao vivo, sem metrônomo, e depois acrescentar os vocais e outras camadas de guitarra.

A ideia é manter aquela pegada mais orgânica de uma banda tocando junta, preservando o que a gente é como trio. Claro que no estúdio também aproveitamos para acrescentar algumas coisas, como overdubs de violão e outros detalhes que fiz em “Joyride”, mas a base continua sendo muito próxima daquilo que tocamos ao vivo.

Acho que isso é algo que vem funcionando muito bem. Se você comparar nossas gravações com os shows, vai perceber que existe uma conexão muito grande entre os dois. Não queremos que o som do estúdio fique distante daquilo que as pessoas encontram quando vão assistir à banda.

7. Confesso que demorei muito para entender a proposta musical de vocês. Esse tipo de comentário tem chegado ao conhecimento da banda através de outras pessoas? Quais referências musicais vocês buscam no momento de compor as canções da SILVER DOSE?

Na verdade, acho que o som da Silver Dose surgiu muito dessa vontade de explorar uma sonoridade diferente daquela que eu vinha fazendo no Brasil, principalmente com a minha antiga banda, Vulgar Type. Eu não queria simplesmente tentar recriar ou emular a mesma coisa aqui. Estava muito aberto a descobrir algo novo, inclusive queria trabalhar com um formato de trio.

E quando você trabalha nesse formato, onde as músicas muitas vezes surgem de jams, de tocar junto e improvisar durante os ensaios, acaba incorporando bastante das influências dos outros integrantes também. Isso abre um universo de possibilidades e, às vezes, fica mesmo difícil associar o resultado a um estilo específico.

Mas, na minha opinião, isso é algo positivo. Esse tipo de comentário chega bastante até mim, mas geralmente de uma forma positiva. Acho que as pessoas percebem que existe uma mistura de influências ali, e essa liberdade é justamente uma das coisas que fazem a Silver Dose ser o que é.

8. Recentemente recebi o produto digital e fiquei de queixo caído com a arte da capa. Como ela é muito subjetiva e conta com uma foto da banda, teria como nos ajudar a compreendê-la?

Imagino que você esteja falando da foto que faz parte do nosso EPK e que também usamos na capa de “Serotonin Fix”. Ela foi feita pela minha esposa, Baylee Andrade.

Eu queria aquele enquadramento, com um ângulo um pouco desconfortável da escada e os balões pretos caindo. Acho que representa bem o sentimento da música: essa busca por serotonina em meio a tudo aquilo que está caindo sobre você, procurando uma fuga da realidade ou até inventando algum motivo para celebrar, como diz a própria letra.

9. Quais os planos da banda para um futuro próximo? Um novo álbum já está sendo composto? Pretendem seguir o mesmo direcionamento musical?

Nosso plano agora é concluir o álbum, que está na fase final de produção. Estamos trabalhando nas gravações e na produção das músicas. Ele vai reunir os singles lançados a partir de “Already Dead”, incluindo “Joyride” e “Serotonin Fix”, além das próximas músicas que ainda vamos lançar.

Sem dúvida, ele segue esse novo direcionamento musical da banda. Também marca uma nova fase, principalmente pela entrada do Rikki Frazier na bateria, em relação ao que tínhamos no Slander. Isso trouxe uma dinâmica diferente para a banda e acabou influenciando bastante essa nova sonoridade.

As músicas têm influências bem variadas. Temos coisas bastante energéticas e rápidas, outras mais pesadas, bastante melodias e até algumas influências que vêm de fora do universo do rock. Acho que vai ser um álbum que mostra bem essa liberdade que a gente tem de explorar diferentes ideias sem ficar preso a um estilo específico.

10. Obrigado pelo tempo cedido para a equipe da FullRock. É chegado o momento das considerações finais…

Muito obrigado a todos vocês da FullRock por abrirem esse espaço para eu conversar com os leitores aí do Brasil. É sempre bom, me conectar com as pessoas daí. Sigam a Silver Dose e fiquem ligados nos próximos lançamentos. Espero que a gente se veja em breve!

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About Pedro Hewitt

Trabalha desde 2002 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Heavy Metal e Rock and Roll como Paul Di Anno, Ira!, Hangar, Angra, Shaman, Andralls, Drowned, Clamus, Dark Season, Megahertz, Anno Zero, Empty Grace, Morbydia, Káfila, entre outros.

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