
Por Jeferson di Pádua
Nota: 08.0/10.0
Lançado em 9 de abril, Navina é o segundo EP da SACRARYA, banda de Heavy Metal de Limeira (SP). O título, cuja origem está no sânscrito e significa “recomeçar”, sintetiza bem a proposta do lançamento, que recupera três composições de Novo Ser, trabalho de estreia disponibilizado em 2017, apresentando versões repaginadas, com maior peso e uma abordagem musical mais moderna. A iniciativa funciona como uma espécie de atualização de identidade, permitindo perceber a distância percorrida pelo grupo desde seus primeiros passos. Ao mesmo tempo, o material preserva a essência das composições originais, sem recorrer a mudanças que descaracterizem sua estrutura.
A abertura com “Eternos Manequins” estabelece rapidamente o direcionamento do EP. Com riffs encorpados, boas linhas melódicas e uma condução bastante objetiva, a faixa demonstra como uma composição originalmente apresentada no início da trajetória da banda pode ganhar novos contornos sem perder sua personalidade. O vocalista Vinny Mello, que também se destaca como principal compositor do grupo, contribui para essa identidade ao imprimir personalidade às interpretações e estabelecer uma conexão entre a intensidade instrumental e a proposta das letras. Sua participação é particularmente importante para manter a unidade entre as diferentes passagens do repertório.
Em “Em Cores”, a SACRARYA amplia consideravelmente suas possibilidades, apresentando a composição mais extensa do EP, com 6 minutos e 24 segundos. As mudanças de andamento, os riffs fortes e a construção mais elaborada conferem à música uma dimensão épica, fazendo dela um dos momentos mais interessantes do lançamento. O trabalho de guitarra de Roberto Gardinalli merece atenção pela maneira como contribui para a dinâmica da composição, alternando passagens pesadas e melódicas. A faixa demonstra que a banda não está interessada apenas em aumentar a intensidade das gravações originais, mas também em explorar melhor suas possibilidades instrumentais.
Já “Meu Destino” encerra o repertório apostando em uma fórmula mais direta, rápida e pesada. Com um refrão marcante e de fácil assimilação, a música apresenta características que favorecem sua execução ao vivo, funcionando como um encerramento energético. A seção rítmica, formada por Jonathan Souza no baixo e Henrique Zambuzi na bateria, tem papel fundamental na sustentação das composições, oferecendo a consistência necessária para que as guitarras transitem entre momentos mais cadenciados e passagens de maior intensidade. A interação entre os músicos ajuda a conferir unidade ao EP, mesmo diante das diferentes propostas encontradas nas três faixas.
No conjunto, Navina cumpre bem sua finalidade ao apresentar uma nova perspectiva sobre o repertório inicial da SACRARYA. A atualização das músicas evidencia uma banda mais pesada, segura e consciente de suas possibilidades, sem abandonar a acessibilidade melódica que caracteriza sua proposta de Heavy Metal. “Eternos Manequins”, “Em Cores” e “Meu Destino” formam uma sequência equilibrada, com destaque para a diversidade de abordagens e a capacidade de alternar contundência e melodias envolventes. A inclusão de uma faixa escondida ainda acrescenta uma pequena surpresa para quem acompanha o lançamento. Mais do que revisitar o passado, a SACRARYA utiliza esse EP para reafirmar sua identidade e apresentar uma versão mais madura de sua própria história.

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