Entrevista: Apostullus

 

- Para os leitores do site FullRock que não conhecem o trabalho da APOSTULLUS, poderiam descrever os principais pontos da carreira de vocês até aqui?

A Apostullus nasceu com a proposta de criar uma identidade própria dentro do Heavy Metal, sempre buscando equilibrar peso, melodias marcantes e uma atmosfera mais intensa e emocional. Ao longo da nossa trajetória, fomos consolidando um trabalho autoral muito focado em personalidade, tanto musicalmente quanto visualmente.

Nos últimos anos, a banda vem investindo forte em lançamentos independentes, videoclipes e produção audiovisual de alta qualidade, algo que consideramos fundamental hoje para ampliar o alcance da música. Singles como “Heart” e “Inside a Labyrinth” representam muito bem essa evolução artística e mostram uma banda mais madura, confiante e conectada com aquilo que acredita musicalmente.

- “Heart” é o novo single da banda e foi lançado de forma independente, como ele vem sendo recebido até aqui?

A recepção tem sido extremamente positiva. “Heart” acabou criando uma conexão muito forte com o público justamente por reunir vários elementos que fazem parte da essência da Apostullus: riffs marcantes, peso, emoção e refrões fortes.

Além disso, percebemos que o single conseguiu atingir públicos diferentes dentro do Rock e do Metal, desde fãs mais tradicionais do Hard Rock até pessoas que gostam de algo mais moderno e atmosférico. Isso mostra que a música conseguiu transmitir exatamente aquilo que queríamos artisticamente.

 - Um ponto que salta aos olhos no material, é que vocês optaram pelo inglês para passarem as suas mensagens, em detrimento do português, algo pouco usual para bandas de Hard Rock. Por qual razão resolveram seguir por este caminho?

O inglês surgiu de forma muito natural dentro da proposta da banda. Grande parte das nossas influências veio de bandas internacionais, então musicalmente percebemos que o idioma conversava melhor com a sonoridade que construímos.

Além disso, o Hard Rock e o Heavy Metal possuem uma linguagem muito global, e cantar em inglês também amplia a possibilidade de alcançar públicos fora do Brasil. Mas isso nunca foi uma decisão “comercial”; foi algo artístico mesmo. Quando começamos a compor, sentimos que as músicas ganhavam mais identidade dessa forma.

- O Som da APOSTULLUS é difícil de ser rotulado, mas eu consegui enxergar similaridades com o Hard Rock AOR. Vocês concordam com tal afirmativa? Caso não concordem, como vocês se definiriam?

Existe sim uma influência do AOR, principalmente nas melodias, nos refrões e em algumas atmosferas mais emotivas. Mas ao mesmo tempo temos muitos elementos de Heavy Metal, Hard Rock clássico e até abordagens mais modernas.

A verdade é que nunca entramos em estúdio pensando em seguir um rótulo específico. A Apostullus procura construir músicas com identidade própria, então acabamos transitando entre diferentes influências sem ficar presos a uma única estética. Talvez essa seja justamente uma das características mais fortes da banda.

- Particularmente gostei bastante de “Heart”, pois ela meio que sintetiza o que temos em toda a discografia da banda. Como vem sendo a aceitação dele com o público, e quais da carreira discográfica de vocês vêm sendo mais pedidas nos shows da banda?

Ficamos muito felizes com essa percepção porque “Heart” realmente representa muito da identidade da Apostullus hoje. Ela reúne melodias fortes, peso, emoção e uma construção mais intensa, que são características presentes em praticamente toda a nossa discografia.

Nos shows, percebemos uma resposta muito forte do público com “Heart”, principalmente pela energia e pelo refrão. Mas músicas como “Inside a Labyrinth” também vêm ganhando muito espaço e se tornando presença obrigatória no repertório ao vivo.

- A produção do single é outro fator importante, o que você pode nos dizer sobre o processo de produção de “Heart”?

Nós tivemos uma preocupação muito grande em fazer com que “Heart” tivesse uma sonoridade forte e enérgica, mas ao mesmo tempo orgânica e emocional. Todo o processo foi bastante detalhado, desde os arranjos até a construção das ambiências e das camadas vocais.

Também buscamos uma produção que valorizasse a dinâmica da música, sem perder o peso e a intensidade. Queríamos que cada parte tivesse força própria e que o ouvinte conseguisse mergulhar totalmente na atmosfera da faixa.

- Confesso que demorei muito para entender a proposta musical de vocês, este tipo de afirmativa tem chegado ao conhecimento de vocês através de outras pessoas? Quais referências musicais vocês buscam no momento de compor as canções da APOSTULLUS?

Sim, isso acontece bastante, e de certa forma encaramos isso como algo positivo. Hoje muitas bandas acabam seguindo fórmulas muito previsíveis, enquanto a Apostullus prefere explorar atmosferas, emoções e diferentes influências sem se limitar.

As nossas referências passam por nomes clássicos do Hard Rock e Heavy Metal, mas também por bandas mais modernas e por trilhas sonoras cinematográficas. No momento da composição, buscamos muito mais criar uma experiência e uma identidade do que simplesmente seguir um estilo específico.

- Recentemente recebi o produto digital e fiquei de queixo caído com a arte da capa. Como ela é muito subjetiva, teria como nos ajudar a compreendê-la?

A arte foi pensada justamente para provocar interpretações diferentes. Gostamos muito dessa ideia de criar algo visualmente forte, mas que não entregue todas as respostas de forma imediata.

Ela conversa diretamente com os sentimentos e conflitos abordados em “Heart”, representando emoções internas, intensidade e até uma certa dualidade humana. Queríamos que a capa tivesse praticamente a mesma proposta da música: causar impacto primeiro no emocional e depois abrir espaço para interpretações mais profundas.

- Quais os planos da banda para um futuro próximo? Um novo álbum já está sendo composto? Pretendem seguir o mesmo direcionamento musical?

Estamos trabalhando intensamente em novos materiais e o processo de composição segue acontecendo de forma muito ativa. A ideia é continuar lançando músicas e conteúdos audiovisuais com frequência, porque acreditamos muito nessa conexão constante com o público.

Existe sim material sendo desenvolvido para futuros lançamentos maiores, como um novo single com videoclipe e na sequência o novo álbum. Mas ao mesmo tempo, a Apostullus sempre busca evoluir musicalmente. Não gostamos da ideia de repetir fórmulas; queremos que cada novo trabalho represente um novo passo dentro da nossa trajetória.

- Obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Fullrock, é chegado o momento das considerações finais…

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About Pedro Hewitt

Trabalha desde 2002 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Heavy Metal e Rock and Roll como Paul Di Anno, Ira!, Hangar, Angra, Shaman, Andralls, Drowned, Clamus, Dark Season, Megahertz, Anno Zero, Empty Grace, Morbydia, Káfila, entre outros.

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