
- Para os leitores do site FullRock que não conhecem o trabalho da JANAINA MELO, poderia descrever os principais pontos da carreira do seu projeto solo até aqui?
Meu projeto solo nasce da necessidade de expressar minha identidade de forma mais direta dentro do metal, após uma trajetória sólida no cenário, especialmente com a banda Autopse, onde atuei por 10 anos e gravei dois álbuns. Nesse período, participei de festivais importantes como Palco do Rock, Rock de Batom e Abril Pro Rock, além de integrar a banda Sinaya (SP), com quem gravei o single Riddle Of Death. Também gravei as baterias do segundo álbum da banda The Damnnation, ampliando minha atuação e consolidando minha identidade no cenário.
Desde 2021, venho desenvolvendo meu projeto solo com os singles Reborn of Chaos, Manipulated Minds e Introspection, que reforçam uma sonoridade intensa, técnica e agressiva. O projeto representa uma fase mais madura e autoral da minha carreira, com colaborações relevantes e uma proposta artística em constante evolução, focada em novos lançamentos e no fortalecimento do meu nome no metal.
-“Introspection” foi um último single da banda e foi lançado de forma independente, como ele vem sendo recebido até aqui?
R: “Introspection” é um trabalho muito importante dentro do meu projeto solo, pois representa um momento de maior maturidade musical e pessoal. Mesmo sendo um lançamento independente, a recepção tem sido bastante positiva, principalmente pelo público que já acompanha minha trajetória e também por novos ouvintes que se identificaram com a proposta mais introspectiva e intensa da música.
Tenho recebido um retorno muito bom em relação à sonoridade, às participações e à mensagem que a faixa transmite, o que reforça que estou no caminho certo dentro da minha construção artística. Esse single também abriu portas para ampliar o alcance do projeto e fortalecer ainda mais minha presença no cenário.
- Um ponto que salta aos olhos no material, é que você optou pela linguagem instrumental para passarem a sua mensagem, em detrimento de usar um cantor, algo pouco usual para banda de Metal. Por qual razão resolveu seguir por este caminho?
A escolha pelo instrumental foi totalmente intencional. Sempre enxerguei a música como uma forma de expressão que vai além das palavras, e nesse projeto quis explorar justamente essa liberdade de transmitir sensações, peso e intensidade de forma mais direta, através dos arranjos e da performance.
Dentro do metal, que é um estilo muito associado à presença vocal, seguir por esse caminho também foi uma forma de trazer uma identidade própria e sair do lugar comum. A bateria, pra mim, não é apenas base rítmica — ela também comunica, conduz e conta uma história.
Optar pelo instrumental me permite criar uma conexão mais aberta com o público, onde cada pessoa pode interpretar a música de forma única, sem a limitação de uma narrativa definida por letra. Isso fortalece ainda mais a proposta artística do projeto.
- O Som da JANAINA MELO é difícil de ser rotulado, mas eu consegui enxergar similaridades com o Progressivo. Você concorda com tal afirmativa? Caso não concorde, como você se definiria?
R: Eu entendo essa leitura e ela faz sentido, principalmente pela liberdade estrutural, variações rítmicas e construção dos arranjos. O progressivo acaba sendo uma referência natural nesse contexto.
Mas não me limito a um único rótulo. Meu som está dentro do metal, com elementos extremos, técnicos e modernos. Prefiro definir como um metal instrumental com abordagem livre, onde posso explorar diferentes dinâmicas e atmosferas sem me prender a uma estética específica.
- Particularmente gostei bastante de “Manipulated Minds”, pois ela meio que sintetiza o que temos em toda a sua discografia. Como vem sendo a aceitação dele com o público, e quais dossingles vêm sendo mais pedidas nos shows da banda?
R: “Manipulated Minds” é um dos singles mais representativos do projeto, então é muito significativo ver que essa percepção também chega ao público. A resposta tem sido extremamente positiva, principalmente pela intensidade, peso e pelas colaborações, que elevaram ainda mais o nível da faixa.
Nos shows, “Reborn of Chaos” segue como um dos momentos mais fortes, por carregar a essência e o início de tudo, enquanto “Manipulated Minds” e “Introspection” vêm ganhando cada vez mais destaque pela força e identidade que entregam ao vivo.
Esse retorno só reforça que o projeto está no caminho certo, com uma proposta sólida, consistente e que realmente se conecta com o público.
- A produção do material é outro fator importante, o que você pode nos dizer sobre o processo de produção de “Instrospection”?
R: A produção de “Introspection” foi um processo muito cuidadoso e totalmente alinhado com a proposta do projeto. A ideia era construir uma sonoridade densa, intensa e ao mesmo tempo sensível, explorando nuances além do peso.
Todo o trabalho foi realizado de forma remota, o que trouxe desafios, mas também mostrou um nível de profissionalismo e comprometimento muito alto de todos os envolvidos. A participação do guitarrista Denys Parente foi essencial, agregando técnica e identidade, elevando significativamente o resultado final da faixa.
Houve uma atenção muito grande aos arranjos, dinâmica e timbres, com a bateria assumindo um papel central na narrativa. O resultado é uma produção consistente, moderna e fiel à proposta artística do projeto.
- Confesso que demorei muito para entender a sua proposta musical, este tipo de afirmativa tem chegado ao seu conhecimento através de outras pessoas? Quais referências musicais você busca no momento de compor as suas canções?
R: Sim, esse tipo de percepção já chegou até mim, e eu vejo isso de forma muito natural. Por ser um projeto instrumental e com uma proposta menos convencional dentro do metal, é comum que a conexão não aconteça de forma imediata para todo mundo. É um som que, muitas vezes, vai sendo assimilado aos poucos, conforme a pessoa se permite ouvir com mais atenção.
Sobre as referências, elas vêm de diferentes vertentes do metal, principalmente do extremo, técnico e moderno, mas também de bandas com uma abordagem mais livre e progressiva. No momento de compor, busco muito mais traduzir ideias, sensações e intensidade do que seguir uma linha específica de influência.
No fim, tudo isso se mistura e resulta em uma identidade própria, que é justamente o objetivo do projeto.
- Recentemente recebi o produto digital e fiquei de queixo caído com a arte da capa. Como ela é muito subjetiva, teria como nos ajudar a compreendê-la?
R: Fico muito feliz com essa reação, porque a arte foi pensada justamente para causar esse impacto e despertar diferentes interpretações. A proposta nunca foi entregar algo literal, mas sim algo que dialogue diretamente com o conceito do projeto e com a atmosfera da música.
O trabalho do Alcides Burn, responsável pelas capas, é incrível — ele conseguiu entender com muita sensibilidade tudo o que eu queria transmitir em cada som. Essa conexão foi essencial para traduzir visualmente a intensidade, os conflitos e a proposta mais introspectiva do projeto.
Como é um trabalho instrumental, o visual também assume um papel importante na construção da identidade. A capa funciona como uma extensão da música: subjetiva, intensa e aberta à interpretação, permitindo que cada pessoa crie sua própria conexão com o material.
- Quais os planos da banda para um futuro próximo? Umálbum já está sendo composto? Pretendem seguir o mesmo direcionamento musical?
R: Os próximos passos do projeto estão totalmente focados em consolidar essa nova fase. Já tenho as composições definidas e estou na etapa de gravações e finalização do material, o que marca um momento importante de maturidade artística.
O formato de lançamento ainda está em aberto, porque minha prioridade é entregar um trabalho sólido, coeso e fiel à proposta que venho construindo. A previsão é que esse material chegue ao público no segundo semestre do ano.
Musicalmente, sigo aprofundando essa identidade dentro do metal instrumental, com ainda mais intensidade, técnica e liberdade criativa. A ideia é elevar o nível do projeto e fortalecer de vez o meu nome dentro do cenário.
- Obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Fullrock, é chegado o momento das considerações finais…
Eu que agradeço o espaço e o interesse no meu trabalho. É muito importante poder compartilhar esse projeto e alcançar cada vez mais pessoas dentro do cenário.
Aproveito para convidar quem ainda não conhece a ouvir os singles já lançados e acompanhar os próximos passos, porque vem muita coisa intensa e verdadeira por aí.
E para quem já acompanha, meu muito obrigado pelo apoio — isso faz toda a diferença para que o projeto continue crescendo e se fortalecendo. Nos vemos em breve.

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