
Por Jeferson di Pádua
Nota: 08.0/10.0
Lançado em 14 de agosto de 2026, Night of the Exterminator marca a estreia da METALMINATOR em formato full-length e apresenta uma banda que sabe muito bem o território musical que pretende ocupar. Formado em São Paulo, em 2024, o quarteto aposta no Speed Metal tradicional, mas não se limita a reproduzir fórmulas consagradas da década de 1980. Ao longo de nove faixas e pouco mais de 42 minutos, o grupo combina a velocidade característica do gênero com melodias inspiradas na NWOBHM, harmonizações de guitarras e elementos de Speed/Power Metal alemão. O resultado é um trabalho assumidamente old school, mas que encontra personalidade justamente na maneira como incorpora teclados e arranjos mais elaborados à sua sonoridade.
“Into the Storm” cumpre muito bem a função de introduzir o ouvinte nesse universo, com uma abertura veloz, riffs cortantes e uma atmosfera que remete imediatamente à velha escola. “Speed of Evil”, por sua vez, é um dos grandes momentos do repertório, reunindo guitarras harmonizadas, mudanças de dinâmica e um refrão que demonstra a preocupação do grupo em não sacrificar a melodia em favor da velocidade. Já “Rage” aposta em uma abordagem mais agressiva, com passagens instrumentais contundentes e uma bateria que acrescenta variações interessantes à estrutura. São três composições que representam muito bem as diferentes possibilidades exploradas pela METALMINATOR, evidenciando que sua proposta vai além de simplesmente executar riffs em alta velocidade.
Robby Speed é um dos principais responsáveis pela personalidade do álbum, assumindo os vocais, o baixo, os teclados e parte das guitarras. Sua contribuição é especialmente interessante pela maneira como os sintetizadores e as camadas melódicas são incorporados às composições, sem comprometer a agressividade do conjunto. Em entrevista ao site Cultura em Peso, o músico explicou que suas referências incluem Helloween e o Speed/Power Metal alemão, influências perceptíveis em faixas como “Golden Years”, que ultrapassa sete minutos e apresenta uma construção mais elaborada. Johnny Grave, nas guitarras e backing vocals, complementa essa proposta com riffs e harmonizações que ajudam a conferir profundidade ao repertório.
João Granado, também responsável pelas guitarras e backing vocals, completa a dupla de cordas que constitui um dos grandes trunfos da METALMINATOR. Sua participação é particularmente perceptível nas harmonizações e dobras melódicas, como acontece na faixa-título, cuja estrutura passou por diversas reformulações até alcançar o resultado definitivo. Na bateria, D.D. Razor demonstra competência ao alternar velocidade, viradas e mudanças de condução, contribuindo para que músicas como “Lady Killer” e “Rage” apresentem dinâmicas interessantes. O baterista também assumiu a produção, a engenharia e a mixagem do álbum, uma participação bastante significativa considerando que se trata de seu primeiro trabalho dessa dimensão à frente desses processos.
Outro aspecto que merece reconhecimento é a produção, que privilegia uma sonoridade orgânica, dinâmica e relativamente distante da compressão excessiva encontrada em determinadas gravações contemporâneas. “Night of the Exterminator” e “Golden Years” demonstram a disposição do quarteto para desenvolver composições mais extensas, enquanto “Tiger Hot Girls and Rock ‘N’ Roll” acrescenta uma dose de irreverência ao repertório. A concepção visual também merece atenção: inspirada em elementos cyberpunk e retrofuturistas, a arte apresenta o mascote Exterminator e estabelece uma conexão interessante com o universo temático da banda. Em vez de simplesmente reproduzir a estética tradicional do Speed Metal, o grupo procura acrescentar uma identidade visual própria à sua proposta musical.
No balanço geral, Night of the Exterminator é uma estreia bastante convincente, especialmente por demonstrar que a METALMINATOR compreende os fundamentos do Speed Metal, mas não pretende ficar restrita a uma reprodução nostálgica de seus principais expoentes. A combinação de velocidade, melodias, teclados e harmonizações confere personalidade ao material, embora algumas passagens pudessem se beneficiar de maior concisão, principalmente diante da extensão de determinadas composições. Ainda assim, a diversidade de soluções musicais impede que o repertório se torne excessivamente previsível. Ao reunir influências da NWOBHM, do Heavy Metal tradicional e do Power Metal alemão, o quarteto entrega um álbum que merece a atenção dos apreciadores da música pesada clássica. Uma estreia que aponta para boas possibilidades e deixa a expectativa por novos capítulos na trajetória da banda.

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