Resenha: Voidstorm - Riders of the Broken World

 

Por Jeferson di Pádua

Nota: 08.0/10.0

A estreia em formato full-length da VOIDSTORM deixa claro que o quinteto baiano chegou para ocupar um espaço próprio dentro do Symphonic Black Metal nacional. Oriunda de Guanambi, a banda demonstra personalidade ao apresentar nove faixas inéditas que expandem o universo iniciado no EP lançado no começo de 2026, sem recorrer à repetição de material anterior. O resultado é um álbum coeso, que equilibra peso, atmosfera e melodias sombrias com uma produção consistente. Ao longo de toda a audição, merece destaque especial o trabalho do guitarrista Leonardo Meireles, responsável por riffs inspirados, harmonizações bem construídas e solos que enriquecem cada composição sem jamais comprometer a agressividade característica do gênero.

A faixa-título, "Riders of the Broken World", funciona como um excelente cartão de visitas para o álbum. Combinando passagens velozes, teclados atmosféricos e uma construção épica, a música conduz o ouvinte por uma jornada marcada por destruição, caos e reflexões sobre a decadência da humanidade. A performance de Leonardo Meireles se destaca logo de início, alternando bases cortantes e frases melódicas que dialogam perfeitamente com os arranjos sinfônicos, conferindo personalidade à composição e justificando sua escolha como single de divulgação.

Em "Before the Hellish Gates", a VOIDSTORM intensifica a atmosfera obscura através de uma abordagem mais agressiva, sem abrir mão das texturas sinfônicas que permeiam o disco. O trabalho da cozinha rítmica sustenta com competência as mudanças de andamento, enquanto os vocais de Nathan Santana reforçam a sensação de tensão proposta pela temática espiritual da faixa. A banda acerta ao construir linhas que transitam entre a brutalidade do Black Metal e momentos de refinamento melódico, demonstrando excelente domínio técnico e sensibilidade na execução.

"The Will is Master" apresenta uma faceta ainda mais dinâmica da banda, explorando contrastes entre passagens intensas e momentos de maior respiro, sempre mantendo a identidade construída ao longo do álbum. A composição evidencia o amadurecimento da VOIDSTORM na elaboração dos arranjos e reforça a preocupação do grupo em evitar fórmulas repetitivas. Ou seja, o grupo entrega um trabalho de alto nível, imprimindo personalidade aos riffs e conduzindo os solos com precisão, bom gosto e um senso melódico que acrescenta profundidade à música.

"Riders of the Broken World" representa uma estreia extremamente promissora para a VOIDSTORM. A banda demonstra segurança na execução, competência na composição e maturidade para desenvolver uma identidade própria dentro do Symphonic Black Metal. Com uma produção equilibrada, músicos inspirados e um repertório consistente, o grupo baiano entrega um trabalho que certamente desperta atenção além das fronteiras nacionais. Se este primeiro álbum serve como indicativo do caminho que a banda pretende seguir, o futuro reserva perspectivas bastante animadoras.

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About Pedro Hewitt

Trabalha desde 2002 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Heavy Metal e Rock and Roll como Paul Di Anno, Ira!, Hangar, Angra, Shaman, Andralls, Drowned, Clamus, Dark Season, Megahertz, Anno Zero, Empty Grace, Morbydia, Káfila, entre outros.

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