Resenha: Vartroy - Fragments of Memories

 

Por Jeferson di Pádua

Nota: 08.5/10.0

O novo álbum da VARTROY, intitulado "Fragments of Memories", marca um momento especialmente inspirado do projeto e consolida uma fase criativa madura, sustentada por um repertório de canções fortes, técnicas e extremamente consistentes. Lançado com exclusividade no formato digital, o trabalho já acumula um número expressivo de audições, reflexo direto da excelente recepção do público. A produção é um dos grandes trunfos do disco, com timbres bem definidos e uma mixagem que valoriza cada instrumento, enquanto a arte de capa, de caráter abstrato, dialoga de forma clara com as letras e a atmosfera proposta pelo álbum. Sem exageros, trata-se do melhor registro da discografia da VARTROY em muitos anos, com destaque absoluto para a atuação de Marcos Garcia como guitarrista, vocalista e principal compositor.

“It Matters” surge como um dos pontos altos do álbum e deixa evidente a proposta musical da VARTROY neste novo momento. A faixa aposta em riffs bem estruturados, variações rítmicas precisas e uma condução técnica que não compromete a força melódica. O vocal de Marcos Garcia se encaixa com naturalidade na dinâmica da música, reforçando o peso emocional da composição e mostrando um equilíbrio eficiente entre agressividade, melodia e identidade.

“Nowhere Island” aposta em uma abordagem mais atmosférica, sem abrir mão da complexidade instrumental que permeia todo o disco. A construção da música é gradual, com camadas bem distribuídas de guitarra e uma base sólida que sustenta os momentos de maior intensidade. O resultado é uma faixa envolvente, que evidencia o cuidado nos arranjos e reforça o nível técnico da banda, além de ampliar a diversidade sonora do trabalho.

“My King”, por sua vez, se destaca pela contundência e pela forma direta como a banda conduz a narrativa musical. Os riffs são marcantes, a estrutura é coesa e a interpretação vocal carrega um peso expressivo que potencializa o impacto da canção. É uma faixa que representa com precisão a proposta do álbum: música pesada, bem produzida, tecnicamente refinada e, ao mesmo tempo, acessível dentro da linguagem da VARTROY.

No conjunto da obra, o novo álbum impressiona pela regularidade e pelo alto nível de execução, sem quedas ao longo do repertório. A produção, além de moderna, valoriza os detalhes técnicos e permite que as composições soem claras e bem definidas, algo essencial para um trabalho que se apoia tanto na performance instrumental. A conexão entre a arte de capa abstrata e as letras também contribui para a construção de uma identidade visual e conceitual coerente, reforçando a sensação de um álbum pensado como um todo.

Ao final, fica evidente que a VARTROY entrega um trabalho sólido, maduro e acima da média dentro da própria trajetória, recuperando protagonismo e relevância com um disco que merece a atenção do público. Mais do que nunca, o álbum evidencia o papel central de Marcos Garcia na sonoridade da banda, não apenas como vocalista e compositor, mas como o verdadeiro motor criativo do projeto, reafirmando, de forma incontestável, a máquina de criar riffs que ele é.

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About Pedro Hewitt

Trabalha desde 2002 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Heavy Metal e Rock and Roll como Paul Di Anno, Ira!, Hangar, Angra, Shaman, Andralls, Drowned, Clamus, Dark Season, Megahertz, Anno Zero, Empty Grace, Morbydia, Káfila, entre outros.

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