Entrevista - Vesperaseth

 

- Para os leitores do site FullRock que não conhecem o trabalho da VESPERASETH, poderiam descrever os principais pontos da carreira de vocês até aqui?

Naamã  - Creio que os principais pontos de nossa carreira são os nossos trabalhos lançados, sendo eles a demo “Réquiem”, o álbum “Spectrophobia” e mais recentemente o álbum “Nebro”. Eles nos proporcionaram mais visibilidade na cena underground brasileira e até fora do país, sendo citados em listas de melhores lançamentos. Com o lançamento do “Nebro”  tivemos a honra de conceder uma entrevista para a Roadie Crew importante revista voltada ao metal e suas vertentes, e a mesma também indicou tanto o álbum quanto os integrantes para concorrer como melhores do ano em suas respectivas categorias.

- “Nebro” é o segundo álbum da banda e foi lançado de forma independente, como ele vem sendo recebido até aqui?

Leandro - Estamos genuinamente surpresos com a recepção do 'Nebro', nosso segundo álbum lançado de forma independente. Não esperávamos uma resposta tão calorosa, e é incrível ver que a crítica tem nos avaliado consistentemente com notas acima de 8,5. Essa recepção positiva é incrivelmente gratificante e nos motiva ainda mais. Podemos notar ao longo dos shows, conforme fomos acrescentando as músicas novas, o retorno positivo do público. Isso nos possibilitou fazermos apresentações tocando quase que por completo o disco.

 - Um ponto que salta aos olhos no álbum, é que vocês optaram pelo português para passarem as suas mensagens, em detrimento do inglês, algo pouco usual para banda de Metal. Por qual razão resolveram seguir por este caminho?

Naamã  - Essa é a proposta desde o início do projeto. Considero a língua portuguesa muito rica, e por ser nossa língua materna,  possibilita nos expressar melhor  e passar de forma mais coerente nossas mensagens. Foi um desafio que escolhemos, sabíamos que não seria fácil e poderia gerar certo preconceito com alguns ouvintes, mas surpreendentemente se tornou parte da personalidade da banda, e tem sido muito elogiado nossa escolha de manter as músicas em português.

- O Som da VESPERASETH é difícil de ser rotulado, mas eu consegui enxergar similaridades com o Djent. Vocês concordam com tal afirmativa? Caso não concordem, como vocês se definiriam?

 Thiago - Embora apreciemos a observação sobre similaridades com o Djent, não concordamos totalmente com essa rotulação. Entendemos que os fãs desse gênero podem se surpreender ao nos ouvir, especialmente em 'Nebro', onde as características distintivas do Djent, como polirritmia e rítmica complexa, não são proeminentes, exceto talvez no final da faixa 'Hastur' (risos). Preferimos nos descrever como uma fusão de Death Metal Sinfônico com nuances técnicas. Em nossas composições, exploramos distorções em baixa afinação, blast beats, guturais, velocidade e mudanças de andamento, enquanto as linhas de teclado adicionam uma camada sinfônica que enriquece nossa sonoridade. Além disso, é importante destacar que a diversidade de influências entre os membros da banda contribui significativamente para a loucura sonora que criamos. Nossas influências abrangem desde heavy, Death, sludge, doom, neoclássico, sinfônico e progressivo. Acredito que essa dificuldade de nos encaixar dentro de algum estilo é justamente uma das principais características da banda. Não ter esse compromisso de ficar dentro de um ou outro estilo nos possibilita explorarmos ao máximo a criatividade.

- Particularmente gostei bastante de “Necronomicon: O Livro dos Nomes Mortos”, pois ela meio que sintetiza o que temos em todo o disco. Como vem sendo a aceitação dele com o público, e quais do material vem sendo mais pedidas nos shows da banda?

 Leandro - Fico muito feliz que tenha gostado de Necronomicon. A resposta do público tem sido incrível, especialmente para essa faixa. Ao vivo, a energia da Dagon é cativante, e é uma experiência única ver o público cantando junto conosco o refrão melódico. Além de Necronomicon, notamos que Medo Antigo tem sido outra favorita. Excelente para bater cabeça! E, claro, não podemos deixar de mencionar Abdul Alhazred e Azathoth, que também recebem pedidos constantes. A interação com o público nessas músicas é sempre especial. Necronomicon tem sido nossa música de abertura nos shows e acho que é um excelente cartão de visita. É uma música realmente forte e tem funcionado bem para apresentar a proposta da banda.

- A produção do CD é outro fator importante, o que você pode nos dizer sobre o processo de produção de “Nebro”?

Thiago - A produção de 'Nebro' foi um processo interessante e desafiador, especialmente porque foi concebido praticamente durante a pandemia do COVID-19. Durante esse período, a criação de ideias era feita de forma colaborativa, compartilhando demos e ajustando detalhes através do WhatsApp. Foi uma abordagem única, mas eficaz, onde pudemos compilar as melhores ideias para serem utilizadas. Em um determinado momento, reunimos em minha casa para aprimorar os sons, o que resultou em um período engraçado, estressante e cansativo. A dinâmica desse processo colaborativo à distância e a intensidade das sessões presenciais de polimento realmente moldaram a sonoridade final de 'Nebro'. O álbum é, de certa forma, um reflexo desse esforço conjunto e da superação de desafios durante um período tão singular.

- Confesso que demorei muito para entender a proposta musical de vocês, este tipo de afirmativa tem chegado ao conhecimento de vocês através de outras pessoas? Quais referências musicais vocês buscam no momento de compor as canções da VESPERASETH?

Thiago - Sim, temos recebido algumas afirmações similares sobre a complexidade da nossa proposta musical, e entendemos que nossa abordagem pode demandar um pouco mais de tempo para ser totalmente absorvida. É interessante perceber como a diversidade de influências, mencionada anteriormente, realmente contribui para essa experiência auditiva única. Ao compor, buscamos referências em um amplo espectro musical. Para as guitarras, especificamente, minhas influências vêm de bandas como Symphony X, Pantera, Yngwie Malmsteen, Helloween e Dream Theater. Além disso, explorei ideias de bandas como Septicflesh, Fleshgod Apocalypse, Dimmu Borgir, Arch Enemy, Children of Bodom, e até mesmo Sepultura e Rammstein.

- Recentemente recebi o produto físico e fiquei de queixo caído com a arte da capa. Como ela é muito subjetiva, teria como nos ajudar a compreendê-la?

Naamã - A capa foi elaborada pelo talentoso Carlos Fides, que trabalha com nomes de peso do metal nacional e mundial. Explicar o conceito das artes desse trabalho seria complicado, pois ele se baseia na loucura e no indescritível. As nuances abstratas, sombrias e ocultas, se conectam com as letras e com os temas do álbum, proporcionando ao ouvinte uma viagem rumo aos inóspitos abismos cósmicos.

- Quais os planos da banda para um futuro próximo? Um novo álbum já está sendo composto? Pretendem seguir o mesmo direcionamento musical?

Thiago - Atualmente, estamos focados na composição de um novo álbum, e desta vez, nossa fonte de inspiração é a 'A Divina Comédia' de Dante Alighieri, 'O Paraíso Perdido' de John Milton, e também da obra de Clive Barker. Nesse meio tempo, planejamos lançar de 2 a 3 singles antes do álbum completo. Em relação ao direcionamento musical, podemos adiantar que continuaremos a explorar e evoluir nossa sonoridade única, mantendo a diversidade que caracteriza nosso trabalho anterior.

- Obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Fullrock, é chegado o momento das considerações finais…

Naamã - Agradecemos primeiramente a Fullrock por essa honra e oportunidade de falarmos mais sobre nossa carreira, e também a todos nossos fãs e amigos que nos acompanham assiduamente. Fiquem ligados em nossas redes sociais, muitas novidades estão por vir.

 

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About Pedro Hewitt

Trabalha desde 2002 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Heavy Metal e Rock and Roll como Paul Di Anno, Ira!, Hangar, Angra, Shaman, Andralls, Drowned, Clamus, Dark Season, Megahertz, Anno Zero, Empty Grace, Morbydia, Káfila, entre outros.

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